Atividade foi proposta para alunos de uma escola pública, no município de Piancó. Finalidade da ação é refletir sobre a pandemia por meio da criação artística.

A arte foi o meio escolhido para que alunos de uma escola pública na Paraíba refletissem e retratassem a pandemia de Covid-19. A turma recriou pinturas famosas, posando para fotografias com itens de prevenção à infecção pelo novo coronavírus.

O toque suave dos pincéis foi substituído pelos cliques rápidos e precisos dos smartphones. As telas feitas para pinturas foram trocadas pelas dos celulares. E o colorido fluido das tintas deu lugar à paleta de cores do aparelho. Com o equipamento nas mãos, eles fotografaram e editaram o conteúdo, que ficou tão encantador quanto o original.

Rita Cavalcanti é a professora que desafiou os estudantes. Ela leciona a disciplina de artes na Escola Estadual de Ensino Médio Santo Antônio, situada em Piancó, no Sertão paraibano.

Quinzenalmente, assim como os outros professores, ela recebe uma proposta com temas específicos para trabalhar em sala de aula, mas disse que tem autonomia para adaptar o conteúdo da maneira que quiser. Por isso, não tem medo de ousar quando o assunto é motivar os alunos.

“A função do professor é despertar no aluno a vontade de fazer, de se informar, buscar o conhecimento e usar esse conhecimento no seu desenvolvimento pessoal”, destacou.



Com a 3ª série do ensino médio, ela resolveu pedir para que os alunos recriassem pinturas famosas de qualquer movimento artístico, por meio de uma fotografia convencional ou selfie.

A principal tarefa da turma era a de acrescentar sentido, dar um toque pessoal para as obras, desde que os itens de prevenção à Covid-19 fossem expostos. Dessa forma, a pandemia seria representada de modo leve, mas reflexivo.

Nas imagens, as peças mais vistas são máscaras, potes de álcool em gel e garrafas com água sanitária. Os produtos espelham a rotina da população mundial desde o início da pandemia.

“Surpreendeu-me a criatividade desses alunos. Eles usaram vários aplicativos e me deram aula sobre edição de fotos”, destacou Rita, que também aprendeu com a atividade propôs.



A reação da turma variou. Alguns alunos encararam o exercício sem pensar duas vezes. Outros enfrentaram um pouco de timidez para executá-lo.

A professora acha que, durante as aulas presenciais, consegue fazer com que a turma fique mais engajada com as atividades. Para Rita, o ensino na modalidade remota pode desestimular a turma. Contudo, ela foi surpreendida com a desenvoltura do grupo.

“Tenho um aluno que mal fala em sala de aula e ele se superou no modo remoto de trabalhar em casa. Pediu até para passar mais atividades assim. Pode ser que seja pela facilidade de mexer com a tecnologia”, refletiu.

A atividade agradou Ranyelle Vidal da Silva, de 17 anos. Ela deu uma cara nova para o quadro "Moça com Livro", do pintor brasileiro Almeida Júnior.

A estudante mora na zona rural do município de Piancó e tem dificuldades com o acesso à internet. Sem sinal wi-fi em casa, a adolescente precisa usar pacotes de dados móveis para acompanhar as aulas.



Mesmo sem estrutura para estudar, a única reclamação dela é a falta da presença dos professores. Por isso, considera que ela e os colegas de classe se interessam por atividades dinâmicas como a de repaginar as pinturas.

“Mexe muito com a nossa criatividade e nós gostamos muito desse desafio de criar”, destacou.

Clarissa Carneiro Pereira, de 17 anos, é colega de turma de Ranyelle. Ela recriou a pintura intitulada de "Mulher Tocando Guitarra", do pintor holandês Gerard van Honthorst.

Ela se identificou com a obra, o que tornou a aprendizagem ainda mais significativa, assim como a integração entre diferentes variações artísticas.

“O que eu achei interessante nele, para reproduzi-lo, foi a mulher em si. Por ela estar tocando um violão pequeno, o que me lembrou meu instrumento ukulele. E também porque eu gosto muito de música”, contou.



Mesmo com elementos em comum, a foto demorou um pouco para ficar pronta. A garota precisou até de uma ajudinha extra.

“Eu peguei uma camisa branca social e usei. Peguei meu instrumento, que é o ukulele, fiz algumas penas e coloquei na minha cabeça. Daí, pedi a ajuda da minha irmã para conseguir tirar as fotos. Demorou muito até sair uma foto boa”, explicou.

A avaliação da professora é positiva. Ela considera que atingiu o objetivo de fazer com que a arte seja feita, contextualizada e apreciada.

“Eu luto para isso”, concluiu Rita.

 

Via G1

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