João Alberto Freitas, de 40 anos, foi espancado e morto por dois seguranças, na noite de quinta-feira (10), véspera do Dia da Consciência Negra, no estacionamento de uma unidade do Carrefour em Porto Alegre.

As agressões começaram após um desentendimento entre a vítima e uma funcionária do supermercado, que fica na Zona Norte da capital gaúcha.

A polícia ainda não sabe o que aconteceu antes do espancamento e o que motivou a discussão entre João Beto e a mulher. A investigação também tenta descobrir se a vítima estava sendo perseguida dentro do supermercado e se havia algum desentendimento anterior com os agressores.

Eles são o policial militar Giovane Gaspar da Silva, de 24 anos, e o segurança Magno Braz Borges, de 30 anos. Eles foram presos em flagrante.




Veja, abaixo, perguntas e respostas sobre o caso:


Qual é a cronologia do crime?

Na noite deste domingo, o Fantástico mostrou a cronologia do crime, que aconteceu por volta das 20h40 de quinta (19), na véspera do Dia da Consciência Negra. Veja a seguir:


João Beto e sua esposa, Milena, chegam a uma unidade do Carrefour que fica Zona Norte de Porto Alegre.

  • O casal é visto no caixa da loja.
  • João Beto vai em direção a uma funcionária do estabelecimento e faz um gesto. A mulher é tida como testemunha pela polícia. Em depoimento no sábado (21), ela disse que João Beto não aparentava estar fazendo uma brincadeira, mas que "parecia estar furioso com alguma coisa". Foi essa funcionária quem contou à delegada que, dias antes do crime, ele havia ido ao mesmo supermercado parecendo embriagado e sem máscara.
  • Giovane, um dos seguranças, aparece. Ele, Magno, que também é segurança, e uma fiscal conduzem Beto para saída da loja.
  • Na porta de saída para garagem, João Beto dá um soco em Giovane.
  • João Beto é espancado até a morte por Magno e Giovane.
  • A mulher de João Beto contou que ele dizia "Milena, me ajuda" e que, quando ela tentou socorrê-lo, foi empurrada por um dos rapazes.
  • Uma testemunha, cliente do mercado, disse que alertou sobre sinais de asfixia, mas os agressores pediram que "não se intrometesse em seu trabalho".
  • Segundo a polícia, os seguranças ficaram sobre Beto por mais de 5 minutos.


O motoboy que gravou o espancamento disse em entrevista ao G1 que foi ameaçado pela gerente do Carrefour. Ele descreveu:

"Eu disse: 'Ô, gente, eu vou filmar'. E fui filmando. Quando eu estou chegando perto, vem essa moça de branco e diz: 'Pode parar, eu vou te queimar na loja'".


Qual foi a causa da morte?

Um laudo preliminar do Instituto Geral de Perícias (IGP) apontou asfixia como provável causa da morte de João Beto.


Qual foi o motivo das agressões?

De acordo com testemunhas, João Beto foi agredido após um desentendimento na loja. Imagens do interior do supermercado mostram que João Beto se dirigiu a uma funcionária e, logo depois foi encaminhado, pelos dois seguranças, ao estacionamento.

A esposa de João Beto, Milena, contou à polícia que o marido fez um gesto para uma fiscal, que seria uma brincadeira. A funcionária nega que tenha sido brincadeira.

Em depoimento, a funcionária abordada por João Beto contou que, dias antes das agressões, ele entrou embriagado e sem máscara no Carrefour. A polícia investiga se existia um desentendimento prévio envolvendo a vítima e funcionários do supermercado.

A delegada afirmou: "Esse evento anterior está sob investigação. Nós estamos procurando imagens que comprovem que essa alegação é verdadeira. Todas as alegações que estão no inquérito, elas precisam de comprovação, então, se houve uma conduta da vítima importuna em algum momento".

"E nenhuma dessas alegações é justificativa, é razão para que se tenha se havido a violência com que se tratou a vítima na ocasião, que levou a morte", disse a delegada.


Alguém foi preso?

Dois homens brancos, que atuavam como seguranças do local, foram presos em flagrante pelo crime. O policial militar temporário Giovane Gaspar da Silva, de 24 anos, e o segurança Magno Braz Borges, de 30.

De acordo com a Polícia Federal (PF), Giovane não tinha o registro nacional para atuar como segurança. Magno tinha o documento registrado, mas foi suspenso.

Ambos eram funcionários de uma empresa terceirizada, a Vector Segurança. Em nota, a empresa disse que "se sensibiliza com os familiares da vítima e não tolera nenhum tipo de violência" e "iniciou os procedimentos para apuração interna".

Segundo a PF, a empresa de segurança responsável pelo supermercado tem cadastro regular e foi fiscalizada em agosto deste ano.


O que dizem os agressores?

O advogado de Magno, William Vacari Freitas, disse que não vai se posicionar sobre o caso, no momento.

Já o advogado de Giovane, David Leal, diz que o cliente afirma ter levado um soco da vítima e admitiu que "se excedeu".


Quem era João Alberto Freitas?


João Beto, como era conhecido pelos amigos, vivia numa comunidade na Vila Farrapos, na Zona Norte de Porto Alegre, a cerca de 600 metros do supermercado em que foi morto.

"Um cara de boa", define o amigo Paulão Paquetá, presidente da Associação de Moradores do Bairro Obirici. Os dois moravam a cerca de 200 metros de distância um do outro e se conheciam havia mais de dez anos.

"Um cara legal, estava sempre junto de nós. Gostava de sinuca e futebol. Torcia para o São José. Todo fim de semana fazia churrasco pro pessoal do bairro", disse Paquetá.

Segundo a polícia, João Beto tinha antecedentes criminais por violência doméstica, ameaça e porte ilegal de arma.

De acordo com o amigo, João Alberto trabalhava como soldador na empresa do pai. Dos dois primeiros casamentos, João Beto tinha quatro filhos. Com a esposa, tinha uma enteada. "Ele era da torcida do São José. Sempre que tinha jogo, ele estava no jogo logo cedo", diz.


O que diz o Carrefour?

O Carrefour afirmou que vai reforçar o treinamento de funcionários e terceirizados que fazem a segurança da loja.

Em nota, informou que lamenta profundamente o caso, que iniciou rigorosa apuração interna e tomou providências para que os responsáveis sejam punidos legalmente.

A empresa comunicou ainda que todo o resultado de vendas de lojas no Brasil, na sexta-feira (20), será revertido para projetos de combate ao racismo no país.


Via G1



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